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Projeto Noaismo Info
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Perguntas & Respostas ESPECIAL
Pergunta:
Bnei Noach podem celebrar as Festividades Judaicas ou alguma delas?
Resposta:
Este post foi publicado precisamente na data em que se apresenta, 27 de maio de 2019. Nessa época, infelizmente, ainda não tínhamos o Rav Shimshon Bisker como, primeiramente, o Rabino CONSULTOR do Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info. Este post foi feito então traduzindo um parágrafo do livro The Divine Code do Rav Moshe Weiner em que cita certas características de certas datas festivas judaicas. A grande questão nisso tudo é ter o discernimento de que o Rav Moshe Weiner (que é o Rabino Supervisor da Ask Noah International) e a Ask Noah International (cujo diretor é o Rav Dr. Michael Schulman) tem uma posição mais restritiva do que não ser feito pelos Bnei Noach (ou seja, não fazer de forma alguma) enquanto que o Rav Shimshon Bisker (atualmente o Rabino Supervisor do Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info) tem uma posição menos restritiva do que não ser feito pelos Bnei Noach (ou seja, não é a questão de não fazer, mas de porque o fazer e como está sendo feito) — distinguindo-se daqui o que está expresso na Halachá como sendo literalmente proibido.
Recitaremos a obra The Divine Code (em hebraico: Sheva Mitsvot Hashem) mais amplamente e sem edições, e traremos novas considerações (que serviriam para a época).
( ⇑ Nota adicional feita por Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info em abril de 2026)
“[Em primeiro lugar, observemos que aqui não é uma tradução direta e literal de Rambam, mas uma versão explicativa do autor]
Um gentio pode estar profundamente envolvido no estudo da Torá no que diz respeito ao Código de Noé, conforme lhe foi ordenado, mas aquele que se aprofunda em outras áreas da Torá está sujeito a sanções. Além disso, se um gentio se abstiver das atividades dos dias úteis e criar um sábado para si mesmo, mesmo em um dia útil, ele é passível de punição. Isso inclui aquele que estabelece um “dia santo” para si mesmo, semelhante aos dias santos e sábados dos judeus (que são feriados religiosos, ou seja, dias de “convocação santa”), durante os quais se proíbe de trabalhar, uma vez que isso é criar para si mesmo uma nova religião. Não só é proibido assumir um dia de sábado, mas também reservar qualquer dia para uma observância religiosa específica ou estatuto, como aquele que estabelece para si mesmo um momento para comer um alimento especial como preceito (por exemplo, comer pão ázimo na Páscoa), ou para jejuar em um dia específico (por exemplo, o dia de jejum judaico de Yom Kippur) e similares. Mesmo que ele não o tenha reservado também como um dia de sábado ou de festa (ou seja, para se abster do trabalho), isso é considerado como criar uma festa e uma religião a partir de sua própria compreensão. No entanto, se ele estabelecer para si mesmo um dia de descanso do trabalho, não como um dia sagrado, mas apenas como uma pausa do trabalho, isso é permitido, pois ele não o está estabelecendo como um preceito religioso a partir de sua própria compreensão.
Se um gentio se aprofunda em áreas da Torá além do que lhe é ordenado (ou seja, além das leis noaíticas), ele é responsabilizado.
Da mesma forma, se um gentio se abstém de atividades comuns e cria para si um “Shabat”, mesmo em um dia comum, ele é responsável. Isso inclui estabelecer um “dia sagrado” para si mesmo, semelhante aos dias sagrados judaicos, abstendo-se de trabalho. Isso é considerado como criar uma nova religião.
Não é apenas o Shabat:
Estabelecer qualquer prática religiosa fixa (como um dia específico para comer certo alimento como mandamento, ou jejuar em determinado dia como obrigação religiosa) também entra nisso. Mesmo que não seja exatamente como um Shabat ou festa judaica, ainda assim é considerado criar uma religião.
Por outro lado, se a pessoa apenas faz algo por entendimento próprio, sem transformar em mandamento religioso, isso pode ser permitido. Por exemplo, tirar um dia de descanso como pausa pessoal (não como mandamento religioso) é permitido.
Se um gentio se envolve profundamente na Torá além do permitido, ou estabelece um tipo de observância semelhante ao Shabat, ou adiciona mandamentos para si mesmo, um tribunal pode adverti-lo e informá-lo de que ele é responsável por isso (no sentido espiritual — “pela Mão do Céu”), mas não pode aplicar punição severa.
Qualquer mandamento ligado a um dia sagrado judaico é proibido para um gentio observar especificamente como prática religiosa. Por exemplo:
comer matsá em Pessach como mandamento, balançar o lulav em Sucot, sentar em uma sucá com intenção religiosa, pois isso seria como estabelecer para si um dia sagrado que não lhe foi ordenado.
Mas se um gentio quiser comer pão ázimo ou sentar-se na cabana da sucá por prazer físico (por exemplo, se ele gosta de comer pão ázimo ou de sentar-se na sucá para se proteger do calor do sol), ele tem permissão para fazê-lo. Isso vale mesmo durante os dias sagrados judaicos, uma vez que ele não tem a menor intenção de observar o mandamento judaico, mas realiza a ação apenas para sua satisfação física, e não está estabelecendo um festival para si mesmo.
Exceção importante
Se um gentio é convidado para a casa de um judeu em Pessach e come matsá porque é a comida disponível, ou participa de uma refeição na sucá de um judeu durante Sucot, isso é permitido, pois ele está fazendo isso por respeito ao anfitrião, e não como prática religiosa própria.”
“Um gentio que se dedica ao estudo da Torá por si só (sem relação com o Código Noaítico) está acrescentando mais um mandamento aos Sete Mandamentos de Noé, assim como alguém que usa tefilin, do qual não obtém nenhum benefício pessoal e, portanto, o faz apenas como um mandamento de Deus, ou alguém que observa o sábado por amor ao Céu, ou jejua no Yom Kipur como um mandamento divino; todas essas práticas são proibidas para os gentios.”
The Divine Code, versão inglesa autorizada do original em hebraico: Sheva Mitsvot Hashem, por Rabi Moshe Weiner, Ask Noah International.
Tradução por Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info: © Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info
Agora, analisemos a explicação do Rav Shevach Zlatopolsky, que inclusive é baseada nas próprias explicações do Rav Moshe Weiner — e é óbvio que, a partir daqui, não estamos querendo desmerecer ou diminuir o Rav Moshe Weiner, D’us nos livre.
“[Aqui sim, veremos as próprias palavras de Rambam]
O Rambam escreve: “o não-judeu que observa as leis de shabat[*], mesmo em um dia de semana — se o transformou para si mesmo em algo semelhante ao shabat, merece a morte; ainda mais se criou para si mesmo um feriado semelhante aos feriados prescritos pela Torá.” Esta regra se aplica ao Shabat e ao estudo da Torá. O comentário de Radbaz sugere que os Mandamentos do tefilin, da mezuzá e do rolo da Torá também não são permitidos aos descendentes de Noé devido à sua santidade especial. Logicamente, é evidente que o uso de tzitzit, ou borlas nas extremidades das roupas, também não tem qualquer relação com os descendentes de Noé: a Torá especifica a razão deste Mandamento para os judeus: “E os verás, e te lembrarás de todos os Meus Mandamentos…” (Bamidbar 15:39). Os descendentes de Noé são estritamente proibidos de observar esses Mandamentos.
É preciso explicar em que consistem essas proibições.
É claro que é preciso compreender que o Shabat é um dia especial…; é preciso respeitá-lo, tendo consciência de que ele foi concedido como um presente ao povo judeu. Não é proibido descansar neste dia para recuperar as forças para o trabalho posterior. É permitido, na sexta-feira (dia especial para os descendentes de Noé – dia da criação do homem, testemunho da criação divina do mundo), acender velas (sem bênção), para trazer paz e solenidade ao lar.
Não se pode fazer o kidush, a consagração desse dia para o povo judeu; não se pode abster-se de qualquer tipo de trabalho em honra do Shabat, se esse for um dia de descanso; não se pode recusar algum trabalho urgente ou programado com base no fato de que esse dia é Shabat.”
Tradução por Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info: © Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info
* Quanto ao Shabát, “Havayah falou a Moshé, dizendo-lhe para falar aos benêi Yisrael e dizer-lhes: Há épocas especiais que vocês devem celebrar como feriados sagrados a Havayah. São as seguintes Minhas festividades: … o sétimo dia é um Shabát … um feriado sagrado para Havayah.” (Levítico/Vayicrá 23, A Torá Viva, Rabi Aryeh Kaplan, Maayanot.) “Vede [benêi Yisrael], Havayah vos deu o Shabát.” (Êxodo/Shemót 16:6, 29). Como diz o Rabi Aryeh Kaplan: “O Shabát foi outorgado ao povo judeu quando receberam o maná pela primeira vez.” E como diz a Revista Morashá: “O Shabát — o único ritual judaico que é um dos Dez Mandamentos — é a primeira de todas as festas [judaicas], porque é a primeira a ser mencionada na Torá (Levítico, 23:2-3). Diz a Torá: “(O Shabát) é um sinal entre MIM (Havayah) e os benêi Yisrael para sempre” (Êxodo, 31:17). Apesar de muitos não o saberem, qualquer Shabat é o dia mais sagrado do ano judaico, até mesmo mais do que Ióm Kipúr (Shulchán Arúch, Órach Chaím, 242:1).” (© Instituto Morashá de Cultura.)
Como demonstrado pelo Rav Shevach Zlatopolsky, há um número específico de Mitsvót que são de fato proibidas. Porém, vemos que mesmo dentre as Mitsvót expressamente proibidas há certos tipos de coisas que os Bnei Noach podem fazer (como, por exemplo, mesmo no Shabat, ou mesmo no estudo de Torá) — e vimos até mesmo o próprio Rav Weiner dando abertura em sua própria obra ainda que dizendo que seja “apenas para sua satisfação física”. Para termos outro exemplo, o mesmo Rav Shevach Zlatopolsky diz: “Alguém pode se inspirar nas ideias que a festa de Chanucá traz ao mundo, querer participar da disseminação dessas ideias e do conhecimento do milagre, e querer expressar isso acendendo velas de Chanucá. Essa pessoa pode fazê-lo, mas — é claro — sem uma bênção.”
Portanto, agora passamos a entender que certos rabinos têm de fato uma posição mais rigorosa e restritiva por questões de evitarem que as coisas entre os Bnei Noach virem bagunça e desordem. Uma explicação do próprio Rav Moshe Weiner, do próprio autor do The Divine Code, sobre festividades, para uma pergunta que lhe foi feita demonstra claramente isso:
“Esse assunto requer uma consideração séria. Não creio que os filhos de Noé devam copiar os feriados judaicos. Não há proibição de que rezem junto com os judeus, mas, em princípio, eles precisam de seu próprio local e de sua própria ordem de orações. Por enquanto, só consigo citar um dia comemorativo que é comum tanto para os judeus quanto para os filhos de Noé: o Rosh HaShaná, quando a Criação foi concluída e o Todo-Poderoso começou a decidir o destino de cada habitante da Terra. Eu começaria a elaborar a ordem das orações para os Bnei Noach justamente a partir do Ano Novo.”
Portanto, se essas são as proibições expressas da Halachá, isso significa que todas as outras Mitsvot não são proibidas, pois se fossem, certamente seriam citadas. Agora, dizer que todas as outras Mitsvot que não são expressamente proibidas pela Halachá significa que são para serem feitas, também não é o caso. E certamente não é o caso de que rabinos por aí (como um em S.Paulo) permitam, ou pelo menos não desestimulem, os Bnei Noach de quererem fazer simplesmente tudo o que bem entenderem. O Rav Shimshon Bisker nos esclarece que além das permitidas e das proibidas, há as propícias e as não-propícias.
Com a ajuda de D’us, com o tempo, traremos as dúvidas relacionadas a cada uma das festividades judaicas.
© Rav Moshe Weiner
© Rav Shevach Zlatopolsky
© Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info
Em relação ao Yom Kipur, nosso entendimento, no começo, era de fato de acordo com a Ask Noah International — ainda que, se prestarmos bem atenção a uma parte do texto da obra, observaremos “ou jejua no Yom Kipur como um mandamento divino” (o que gera a questão: e se não for “como um mandamento divino” então?). Porém, algum tempo depois, com a explicação do renomado Rav Shimshon Bisker (o único rabino brasileiro especialista no tema de Bnei Noach), aí refinamos nosso entendimento e passamos a ter o discernimento do que está de fato proibido na Halachá (exatamente conforme o que apresentamos mais acima no artigo), e, assim, nossa atual posição é conforme
(a saber, que o jejum não é um ritual essencialmente judaico, pois no próprio Tanach temos exemplo de gentios jejuando (ainda que não fosse na data de Yom Kipur – apesar do fato de o livro de Jonas ser lido justamente em Yom Kipur), e que o Yom Kipur – conforme as próprias preces do Machzor demontram – é uma extensão do Rosh Hashaná, e que o que não é propício para Bnei Noach em Yom Kipur é quererem jejuar como se fossem obrigados a isso, ou, é quererem jejuar como comunidade, ou, é quererem não só jejuar mas realizarem todas as outras restrições que fazem parte do dia).

