O surgimento dos messianistas dentro do Chabad

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Como surgiu o pequeno grupo de messianistas (judeus que consideram o Rebe o mashiach) dentro do movimento judaico do Chabad

Tudo começou com a crença numa ressurreição imediata do Rebe

 

Pergunta:
Rav, eu gostaria de saber por que alguns lubavitch acreditam que o Rebe falecido será o Mashiach, que ele será ressuscitado e se tornará o Messias.

Resposta:
O Rav Tovia Singer responde*:

 

* NOTA (do Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info)
Como a resposta do Rav é muito longa, para facilitar o entendimento, nós a dividimos em partes e criamos subtítulos.

 

“Essa é uma pergunta muito boa, embora eu preferisse que não tivesse que responder essa questão… Mas agradeço por trazê-la, pois é importante. Muitas pessoas se perguntam isso.

Primeiro, quero dizer que o Rebe de Lubavitch foi uma das maiores pessoas que já conheci na vida. Tive a oportunidade de encontrá-lo em diversas ocasiões. Conversamos sobre muitas, muitas coisas. Ele me guiou e ajudou profundamente no trabalho que faço.
Nunca conheci alguém como ele. Meu vocabulário é inadequado para descrever o que era estar em sua presença.

Os chassidim ao redor dele sempre foram muito gentis comigo. Eles sabiam do meu trabalho. Normalmente, havia longas filas para vê-lo — e vê-lo a sós era ainda mais difícil. Mas eles sabiam, e o próprio Rebe lhes instruía, para me deixar entrar, passar à frente das filas, porque eu tinha casos urgentes para apresentar.

Ele foi um dos maiores presentes da última geração. Em muitos sentidos, somos uma geração órfã desde que ele partiu. Ele era um verdadeiro gigante. Líderes de Israel, até militares, consultavam o Rebe sobre estratégias. Gente como Ariel Sharon — mesmo não sendo religiosos — ficavam impressionados com ele. Não vou me alongar nisso agora, mas ele era uma figura que parecia não pertencer a essa geração. Era como alguém vindo de outra época.

E o seu amor… o amor que ele demonstrava por cada judeu era algo indescritível. De certa forma, ele salvou o povo judeu depois do Holocausto. É difícil entender isso hoje, pois atualmente ser judeu ortodoxo está “em alta”. Temos até secretários do Tesouro ortodoxos… Mas nos anos 60, 70 e 80, a fé estava se perdendo — podem ter certeza disso. E então veio ele. Um homem belíssimo, por dentro e por fora. Conversar com ele era ficar em estado de reverência. Ele olhava direto dentro de você.
E veja: eu não costumo falar assim sobre ninguém. Você pode ouvir centenas de aulas minhas — nunca falo sobre pessoas dessa forma. Mas ele era além… um nível de grandeza que não consigo expressar. Ele foi um presente divino para a nossa geração. Levou-nos para outro estágio.

[o rabino explica por que algumas pessoas começaram a pensar que o Rebe poderia ser o Mashiach, e como esse pensamento evoluiu]

Durante a vida dele, é fácil entender por que algumas pessoas pensavam que talvez ele fosse o Mashiach. Se você ler as descrições bíblicas sobre o Messias — o tipo de personalidade, o caráter — seja em Isaías 2 ou Isaías 11, verá que o Mashiach é descrito como alguém sobre quem repousa o espírito de Hashem, alguém que ensina de forma capaz de transformar até líderes mundiais. E o Rebe tinha isso.
É compreensível que, vendo essas qualidades nele, alguns tenham pensado: “Talvez seja ele. Pode ser.”
Mas veja: ninguém podia afirmar durante a vida dele que ele era o Mashiach.

Os judeus não ficam por aí perguntando entre si “quem você acha que é o Messias?”. É importante entender isso.
Os judeus religiosos não falam assim. Para nós, o essencial não é saber quem é o Mashiach, mas que o Mashiach venha — e que venha logo. Isso é o importante, para que a glória de Deus se manifeste por todo o mundo.

Se a pessoa é um judeu e não cresceu em um ambiente ortodoxo, eu garanto: se colocasse microfones escondidos nas casas dos judeus ortodoxos, não ouviria as pessoas dizendo “quem você acha que é o Messias?”. Esse tipo de curiosidade não nos interessa. O que queremos é que a glória de Hashem encha o mundo. Que o mundo não seja destruído, mas que volte-se ao Deus de Israel e abandone toda maldade.

Esperamos que até nossos inimigos se arrependam. Dizemos isso todos os dias em nossa reza, no Aleinu. Nosso desejo é que todos os inimigos de Deus voltem para Ele. Não queremos que eles sejam destruídos. Aqueles que permanecerem como inimigos serão julgados, sim. Mas nossa esperança é que se arrependam. Mesmo que estejamos com raiva de certas pessoas — o que queremos de verdade é que elas se voltem para Deus.

Esse ponto é muito importante:
Se você for procurar nas Escrituras — e estou só estimando agora, nunca contei de fato — mas digamos que existam cerca de 700 passagens claramente messiânicas no Tanach… A grande maioria delas não fala sobre o indivíduo que será o Messias, mas sobre como o mundo será transformado nos tempos do Messias.
Agora, se você perguntar: quantos versículos realmente descrevem o Messias em si? O que ele será como pessoa? Talvez cinco… dez versículos. É muito pouco.
Se você perguntar ao Tanach: “Como será o Messias?” — sim, sabemos que ele virá da Casa de David — mas sobre a personalidade dele, temos talvez cinco, seis, sete versículos. Só isso.
O que isso nos diz?
Que o propósito da Era Messiânica não gira em torno da figura do Messias em si. O importante é que haverá um descendente de David — o herdeiro da aliança davídica de 2 Samuel 7:12-16 — mas quem vai transformar o mundo será Deus, não o Messias.

Deus usará o Messias, assim como usou grandes reis de Israel como David. Mas, veja bem: foi Deus quem abriu o mar, não Moshé. Moshé foi apenas o instrumento. O Messias também será um instrumento de Deus.
Ele não tem poder próprio. Ele é o cumprimento de uma promessa feita por Deus ao Rei David.

Nosso desejo é que o mundo fale com pureza [espiritual], como diz o livro de Tzefanyá (Sofonias). Que todas as nações se voltem ao Deus de Israel, que se curvem somente diante DELE. Que todo joelho se dobre, e toda língua O louve — e a nenhum outro.

Então, só para repetir: no mundo religioso tradicional, realmente não se fala nesse tom: “quem é o Messias?”. E o Rebe… Ele era uma figura impressionante. O impacto dele foi imenso.

[a doença do Rebe, sua morte, e o surgimento de um grupo minoritário dentro do Chabad que passou a acreditar que ele voltaria como o Messias]

Durante sua vida, o Rebe falava muito sobre como estávamos próximos da era messiânica. Ele enfatizava isso repetidamente. E alguém pode dizer: “Ora, outras pessoas também falavam disso”. Sim, mas quando os judeus voltaram para a Terra de Israel, quando a terra começou a dar seus frutos, quando Jerusalém voltou a ser nossa — isso muda tudo. E ele destacava isso com frequência.
Por isso, algumas pessoas começaram a pensar: “Talvez ele seja o Mashiach.”

Agora, o que aconteceu é que aqueles que estavam mais próximos dele, que conviviam com ele no dia a dia — ele era o grande mestre deles, alguém que eles amavam, como muitos ainda o fazem —, alguns começaram a dizer: “Este é o homem. Ele tem todas as características. Quem mais poderia ser?”
Mas preste atenção: eles não diziam que se você não acreditasse nisso, iria para o inferno ou algo do tipo. Eles simplesmente pensavam: “Quem mais teria essa personalidade?”

Agora, vou dizer como eu mesmo pensava: eu não ficava conjecturando quem era o Messias, mas confesso que via nele qualidades que, com base na leitura direta do Tanach, eu esperaria encontrar no Mashiach.

Ele adoeceu, teve um derrame cerebral. E depois disso, um segundo. Esse segundo derrame foi devastador. Ele foi internado no Hospital Mount Sinai, em Nova York, e os médicos disseram que, do ponto de vista médico, não havia nenhuma chance de recuperação.
Lembro que isso foi transmitido até pela CNN. Acho que ele estava no 16º andar do hospital, e o hospital inteiro foi tomado. Milhares de pessoas estavam do lado de fora, em vigília. As pessoas estavam profundamente preocupadas. Ele era um dos grandes gigantes daquela geração e estava em situação muito grave.

Mas o que aconteceu é que algumas pessoas ficaram obcecadas demais com o mensageiro, e não com a mensagem. Isso é perigoso.

É por isso que, no Sêder de Pessach, a gente [os judeus] não menciona o nome de Moshé. Porque não se trata de Moshé. Deus usou Moshé para cumprir SEU propósito, mas Moshé não tinha poder próprio. Deus disse a ele: “EU estarei com você.”

O perigo é esse: ficar focado demais no mensageiro. E, para algumas pessoas, isso aconteceu. Ele era tão impressionante, tão arrebatador — e de fato era — que quando ele estava no hospital e começaram a sair notícias de que o quadro era irreversível, algumas pessoas disseram: “Ele tem que ser o Mashiach. E vai se recuperar milagrosamente. Porque, afinal, o Mashiach não pode morrer.”
Elas diziam: “Mashiach não morre, logo ele vai se recuperar, apesar de tudo o que a ciência diz.”

Começaram a buscar versículos que pudessem apoiar essa ideia — eram pessoas boas, bem-intencionadas — e passaram a dizer que talvez o Mashiach tenha que ficar gravemente doente antes de se revelar. Essa era a lógica.
Mas o que aconteceu foi que ele faleceu. Ele foi para o mundo espiritual.
Que sua memória seja uma bênção.

E aí um pequeno grupo começou a dizer: “Está certo, ele morreu. Mas o Mashiach tem que morrer e depois ressuscitar.”
Em vez de olhar para a Torá, para o Tanach, para a vasta literatura sagrada e perguntar: “O que os textos realmente dizem?” — em vez disso, eles pegaram o fato de ele ter morrido, e começaram a vasculhar os textos em busca de algum versículo que pudesse justificar o que já acreditavam.
Ou seja, fizeram tudo ao contrário.
E quero dizer algo aqui. Toda a literatura que defende essa ideia (de que ele vai voltar como o Messias) foi escrita e publicada depois que ele faleceu. Por que não existe um único texto dizendo isso 50 anos antes?
Isso é muito significativo.

Aliás, quem mais se ofende com esse tipo de desvio são os próprios Chabadniks, os seguidores verdadeiros do Rebe.
Deixe-me contar uma breve história.

[relatando um episódio marcante após uma palestra e aprofundando a crítica ao grupo messiânico dissidente de Lubavitch]

Quero compartilhar algo com você. Uma vez eu estava dando uma palestra em Seattle — era uma palestra de sábado à noite — e eu precisava voltar para Nova York no domingo, onde tinha outro compromisso de fala.

Então expliquei ao pessoal: “Olha, estou aqui durante o Shabat, mas tenho um voo direto da Continental Airlines, de Seattle para Newark, às 22h30. Preciso estar nesse voo, senão perco o evento de domingo.”
Foi combinado assim: eu daria a palestra sobre o Mashiach no sábado à noite, mas não poderia responder perguntas depois. Tinha um carro esperando por mim do lado de fora da sinagoga, pronto para me levar direto ao aeroporto internacional de Seattle.
O rabino local explicou isso ao público: “Rabbi Singer vai falar, mas não responderá perguntas. Ele tem que correr.”
Depois da palestra, fui rapidamente para a porta — e o público tinha sido instruído a não se levantar, para eu ter caminho livre até a saída.

Mas dois jovens do Chabad — dava para ver claramente pelo chapéu, pelo modo de vestir — correram atrás de mim. E me pararam na porta.
Eles disseram:
— “Rabi, só uma pergunta: por que você não condenou os chabadniks daquele grupo dissidente, os que dizem que o Rebe é o Mashiach e vai voltar?”
Para eles, esse grupo é completamente herético.
Ou seja, mesmo entre os seguidores de Chabad, há muitos que consideram essa seita um desastre, uma vergonha. Inclusive o próprio secretário do Rebe, o rabino Groner — que conhecia o Rebe intimamente — se opôs publicamente a essa ideia. Ele disse: “Fiquem longe disso. Isso é absurdo.”
Esses que rejeitam essa crença são, na verdade, alguns dos mais vocais opositores dessa doutrina.
Claro, tudo isso é muito lamentável.

Eu, pessoalmente, acredito que esse grupo está diminuindo, especialmente nos Estados Unidos. Não fiz nenhuma pesquisa formal, mas acredito que está desaparecendo — talvez seja só um desejo meu. Mas é o que sinto.

Mais uma coisa que preciso dizer — e é importante:
Não existe uma única pessoa pré-designada para ser o Mashiach.
Ao longo de nossos dois mil anos de exílio, sempre houve muitas pessoas que eram elegíveis — pessoas justas, descendentes da Casa de David. Se a geração tivesse merecido, algum deles poderia ter sido o Mashiach.
Não estamos procurando a carteira de identidade da pessoa para ver se diz “descendente de David”.
O Mashiach é alguém que virá se a geração merecer.
O Messias pode surgir em qualquer geração. E uma geração que não vê a vinda do Mashiach — ou seja, em que o Templo não é reconstruído — é como se tivesse destruído o Templo de novo.
Como está escrito em Isaías 59:20:
“Virá um redentor para Tzion e para aqueles que se arrependem da transgressão em Yaacov.”
O arrependimento, especialmente dos pecados mais graves (como a rebelião), é o que vai trazer a era messiânica.

Então precisa haver alguém vivo que possa cumprir esse papel — e essa pessoa, claro, como todo ser humano, tem até os 120 anos para viver.
Se ele morre, alguém novo tem que estar pronto para assumir esse papel.

Portanto, é possível — não estou dizendo que foi o caso — mas é possível que, naquela geração, ele poderia ter sido o Mashiach, se a geração tivesse merecido.
Se alguém disser isso, está perfeitamente dentro do que é permitido pensar no judaísmo.

Novamente, não estou dizendo que ele era o Mashiach. Por favor, não me citem errado.
Se tudo isso parece confuso, nem leia esse trecho.
Mas é possível, sim, que naquela geração ele fosse o escolhido — ou talvez fosse outro. Não sei.
Mas alguém estava ali. E agora que ele faleceu, não pode mais ser ele o Messias. Agora haverá outro — alguém ainda vivo, herdeiro do trono de David — que terá as qualidades descritas em Isaías 11, Isaías 2 e outros trechos.

O Rebe — como carinhosamente o chamamos — faleceu. Ele está agora no Gan Eden, no paraíso. Sua alma está lá, e seus ensinamentos estão em nossos lábios todos os dias.
Ele foi um dos grandes gigantes, em todos os sentidos.

Então, respondendo à pergunta: o que esse pequeno grupo fez — apesar de bem-intencionados — foi inverter tudo.
Em vez de olhar primeiro para os textos sagrados e depois ver se alguém se encaixava, eles fizeram o contrário. Observaram o Rebe, decidiram que ele era o Mashiach, e depois foram aos textos tentar achar justificativas, mesmo que forçadas, para confirmar isso.
Tudo de forma invertida.
Essas pessoas estavam obcecadas por ele.
E eu entendo: se você nunca o conheceu, é difícil explicar.
Ele era um homem lindo — espiritualmente falando — um homem santo de Deus. Ele era querido pelos judeus do mundo inteiro.
Presidentes vinham visitá-lo. Todo tipo de pessoa buscava conselhos com ele.
Ele era isso tudo.
E sim, ele faz falta.
Eu me sinto extremamente afortunado por ter tido tempo com o Rebe — por ter podido conversar com ele em particular, receber orientação e bênçãos dele.

Ele não apenas mudou a minha vida, mas me deu um senso claro de direção.
Ele me mostrou como amar os judeus — todos, sem exceção — e também como amar todas as pessoas.

Ele foi o primeiro, realmente o primeiro, a dizer — ainda muito cedo, após o Holocausto — que, agora que não temos mais medo de perseguições nos EUA, é hora de ensinar as Sete Leis de Noach para o mundo inteiro.
Foi ele quem disse isso.
Quem mais fez isso?
Ele foi simplesmente uma pessoa notável.”

© Rav Tovia Singer
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Em homenagem a S.C.

 

Mais uma vez vemos a realidade do que foi dito pelo Rav Shimshon Bisker: se até judeu tem de tomar cuidado com esse tipo de gente, imagina Bnei Noach.

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