Bnei Noach Para Iniciantes — FASE 2: Shabat

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Especial Bnei Noach Iniciantes — FASE 2:
Parte 13

O SHABAT E OS NOAÍTAS — O QUE BNEI NOACH PODEM OU NÃO PODEM FAZER NO SHABAT? O SHABAT É RELEVANTE OU IRRELEVANTE PARA OS BNEI NOACH?

 

Você vai ouvir pessoas dizendo que não-judeus não têm permissão para guardar o Shabat. Agora, o que isso significa? Normalmente, isso não é explicado. Apenas se afirma, de modo genérico, que não-judeus não podem ter nada a ver com o Shabat.

É assim que soa. O que parece ser dito é: se você não é judeu, mantenha distância. Mantenha-se bem longe do Shabat.

É assim que isso costuma ser dito e é assim que muitas vezes é entendido. Eu consigo compreender por quê, por várias razões — não vou entrar em todas elas agora.

Também consigo entender por que, para muitos noaítas, isso soa difícil de compreender. A realidade é que, nesse tema — a questão da relação de não judeus com o Shabat —, existe uma variedade de opiniões. Há, de fato, uma gama de posições.

Existem opiniões que afirmam que, para um não-judeu, isso é algo com o qual ele não deveria se envolver de maneira alguma. Essas visões existem.

O entendimento básico que eu tenho — e vou explicar por que isso faz muito sentido para mim — é o seguinte: inclusive, verifiquei isso com o principal erudito da Torá no Canadá, o rabino Shlomo Miller, que é considerado o maior sábio da Torá no país. Submeti essa questão a ele, e minha compreensão foi confirmada.

Basicamente, a ideia que tenho — e isso não é fácil de explicar, então peço paciência — é que não-judeus podem saudar o Shabat, mas não devem observá-lo.

Isso soa como uma distinção muito difícil de entender. O que significa saudar? O que significa observar?

A forma mais simples de explicar isso é olhando para as duas versões dos Aseret HaDibrot — as duas versões do que costumamos chamar de Dez Mandamentos na Torá. Aliás, há um problema em chamá-los de “Dez Mandamentos”, porque isso é um equívoco: não existem apenas dez mandamentos, existem 613. Chamamos esses de dez porque foram gravados nas duas tábuas.

De qualquer forma, em Êxodo capítulo 20, onde aparece a primeira versão dos Aseret HaDibrot, o Shabat é mencionado com o mandamento:
“Lembra-te do dia de Shabat para santificá-lo.”

Já em Deuteronômio capítulo 5, a formulação é diferente. Lá está escrito:
“Guarda o dia de Shabat para santificá-lo.”

Isso levanta uma questão interessante: qual é a diferença entre dizer “lembrar o dia de Shabat” e dizer “guardar o dia de Shabat”?

De acordo com a compreensão da lei da Torá, há um elemento positivo no Shabat e um elemento negativo no Shabat.

O elemento positivo do Shabat são todas aquelas ações que fazemos para tornar o Shabat um dia especial — para indicar que é um dia especial, para marcá-lo como um dia santo. Por exemplo: acender velas para marcar a entrada do Shabat, preparar uma refeição especial, ter refeições especiais no Shabat, separar tempos específicos para oração ou para estudo da Torá no Shabat. Há muitas coisas que as pessoas fazem para tornar o Shabat um dia especial.

Esses são os elementos positivos do Shabat. E isso corresponde a “lembrar o dia de Shabat para santificá-lo”.

Já em Deuteronômio, não se fala em lembrar, mas em guardar o Shabat. Aqui não se trata das ações positivas que tornam o dia especial, mas das proibições. Segundo a Torá — e especialmente conforme explicado e desenvolvido na Torá Oral —, os judeus são proibidos de realizar 39 categorias principais de atividades no Shabat. Não são apenas 39 atos isolados, mas 39 categorias conceituais, que se desdobram em centenas e milhares de atividades específicas proibidas.

Por exemplo, judeus que observam o Shabat não dirigem carro, não escrevem com caneta, não acendem nem apagam luzes, não cozinham, não usam micro-ondas, computador ou telefone. Há inúmeras coisas que não são feitas no Shabat. Não se carrega um objeto da casa para a rua, como um livro. Existe toda uma vasta gama de atividades que são evitadas.

Isso é chamado de guardar o Shabat, isto é, não violar essas proibições.

O que estamos dizendo aqui é o seguinte: quanto aos elementos positivos que tornam o Shabat um dia especial — isto é, saudar o Shabat — isso é algo que não judeus podem fazer.
Porém, quanto a evitar as atividades proibidas no Shabat, isso é algo que não judeus não devem assumir.

Qual é a prova disso? É interessante observar.

Em Êxodo capítulo 20, onde se fala em “lembrar o dia de Shabat para santificá-lo”, a razão apresentada para o Shabat é: porque Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. Isso é algo que se aplica a toda a humanidade. Por essa razão, reconhecer o Shabat e saudá-lo faz sentido como algo universal.

Mas, em Deuteronômio, onde se fala em guardar o Shabat — isto é, em respeitar as proibições — a razão dada é outra: porque Deus tirou vocês do Egito, da casa da escravidão. Isso não se aplica aos não judeus.

Assim, o que encontramos na Torá é que o Shabat é um pacto especial que Deus fez com Israel. É um sinal especial que Deus deu exclusivamente a Israel. Isso aparece claramente em Êxodo capítulo 31.

Portanto, não é apropriado que pessoas simplesmente assumam: “vou fazer o que quiser no Shabat”. Não é propriedade pública. Não é algo que qualquer um possa simplesmente apropriar-se. O Shabat é um sinal de aliança específico entre Deus e Israel.

Deus estabelece as regras. A vida não é simplesmente “nossa”. Assim, o entendimento que tenho é o seguinte: para pessoas que não são judias, desejar saudar o Shabat como um dia especial — um dia em que Deus cessou a Criação —, um dia para estar com a família, com amigos, para desfrutar da natureza e elevar o espírito, isso é apropriado para noaítas.

Mas assumir sobre si as proibições do Shabat — como não acender luz, não ligar para alguém, não aquecer a casa no frio ou não cozinhar quando se está com fome — isso não é necessário e nem apropriado para quem não é judeu.

Essa é a forma como eu entendo esse equilíbrio delicado. E isso é importante.

Por Rav Michael Skobac
Tradução por Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info: © 2026 Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info

© Rav Michael Skobac
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Esperamos que este artigo tenha deixado claro o significado das palavras em relação a Bnei Noach:
Bnei Noach não guardam, não observam, não cumprem Shabat, pois não foram ordenados.
Porém, enquanto que os judeus devem lembrar do 7° dia para cumprirem o Shabat, os não-judeus podem reconhecer o dia do Shabat como um dia especial — o Dia do fim da Criação —, e enquanto os judeus também devem honrar o dia do Shabat como Yom Tov — Dia Sagrado —, os não-judeus podem saudar o dia do Shabat com afazeres que não caracterizem uma identidade judaica.

Portanto, não é só um jogo de palavras, não é uma questão de tudo significar a mesma coisa. É uma questão da própria identidade de cada um: o integrante de Israel além de ter de cumprir o Shabat, ele também tem de lembrar e honrar o Shabat. Já o integrante dos outros povos – noaíta (o ben-Noach justo) – pode reconhecer e saudar o Shabat.

 

Depois que você passar por todo o Especial Bnei Noach Iniciantes Fase 2 e alguns outros especiais e assim estiver mais preparado para entender com muito mais detalhes a questão do Shabat, felizmente, baruch Hashem, como não podia deixar de ser, nós também temos o Especial Shabat.

O Shabat Bnei Noach Sétima Parte: O ESPECIAL SHABAT 2026 (nova parte e todas as partes)

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