O segredo de Bereshit — a conexão corpo/alma

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O segredo de Bereshit (Gênesis) — a conexão corpo/alma

 

O primeiro versículo da Torá diz: “No princípio D’US criou os Céus e a Terra”. Criar em hebraico também significa “curar”, bará, ברא, lehabrí, להבריא, cura. Nós curamos uma doença, seja ela espiritual ou física. E então vem a frase “os Céus e a Terra”, onde “Céus” se refere à minha dimensão espiritual, e “Terra” se refere à minha dimensão física. Isso significa que os Céus e a Terra são minha própria alma e meu próprio corpo. Curar essa relação entre a alma e o corpo é chegar a um estado de interdependência, tendo consciência de que a alma está ali para apoiar o corpo. E o corpo quando faz boas ações está fortalecendo a alma e conectando a alma à sua própria raiz na DIVINDADE.
O símbolo do Céu e da Terra, alma e corpo, também simboliza o casamento. É um símbolo do noivo e da noiva, e para poder construir um lar feliz, estável e positivo, cada um tem de estar ali para o outro. Os Céus têm de estar ali para a Terra e a Terra para os Céus. E juntos podemos construir um lar para D’US.

Por Rav Yitzchak Ginsburgh

 

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Traduzido do espanhol por Projeto Noaismo Info: © Projeto Noaismo Info

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A Torá comentada para Bnei Noach – Gênesis c1v3v4

LOUVADO SEJA D’US!

 

Torá Para Não-judeus

 

A Torá Comentada Para Bnei Noach Por Rav Moshe Weiner e Traduzida Por Projeto Noaismo Info

Parashá |פרשה| Bereshit |בראשית|, isto é, Porção Semanal Bereshít (Gênesis 1:1-6:8)

 

Gênesis 1:3
E D’US disse: “Faça-se luz”, e a luz foi feita.

Gênesis 1:4
E D’US viu que a luz era boa, e D’US separou a luz das trevas.

E D’US viu que a luz era boa, e D’US separou a luz das trevas
D’US viu que não é apropriado que a luz e as trevas sirvam em um estado de confusão, e por isso as separou, e ELE estabeleceu para uma seu reino durante o dia, e para a outra o seu reino durante a noite.

De acordo com o Midrash, ELE viu que não era apropriado que a luz fosse utilizada pelos ímpios, então ELE a reservou [como recompensa] para os justos no Mundo Vindouro.

A explicação desta declaração dos Sábios é que os ímpios conduzem suas vidas em um “vazio que é assombrosamente vazio e escuro”, e não percebem a Luz Divina. Esta é uma luz espiritual que é perceptível pelo intelecto de uma pessoa (e não é como a luz do Sol que brilha durante o dia, que é perceptível pelo olho humano), e os ímpios que escolhem “um vazio e escuridão surpreendentemente vazios” não desejam, nem são capazes de obter, prazer desta luz espiritual. Mas D’US apartou esta luz para os justos que escolhem de livre vontade, pelo poder de seu intelecto, buscar e encontrar esta luz espiritual ao longo de sua vida. Esta “luz” será revelada a todos no Mundo Por Vir, como está escrito (Isaías 30:26) “E a luz do sol será sete vezes maior que a luz dos Sete Dias da Criação”, e (Malaquias 3:18) “E vocês retornarão [para D’US] e perceberão a diferença entre os justos e os ímpios”.

 

Todos os colchetes são originais do texto do Rav Moshe Weiner (exceto se estiver indicado N.T. ou Nota do Tradutor).

Por Rav Moshe Weiner
Traduzido do inglês exclusivamente por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info — autorizado por Rabi Moshe Perets

© Rav Moshe Weiner (Rabino Supervisor da Organização Ask Noah International e autor do The Divine Code)
© Projeto Noaismo Info (Site Bnei Noach endossado pela Organização Ask Noah International e pelo Rav Shimshon Bisker, de Israel (autor de mais de 40 livros))

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A Torá comentada para Bnei Noach – Gênesis c1v2

LOUVADO SEJA D’US!

 

Torá Para Não-judeus

 

A Torá Comentada Para Bnei Noach Por Rav Moshe Weiner e Traduzida Por Projeto Noaismo Info

Parashá |פרשה| Bereshit |בראשית|, isto é, Porção Semanal Bereshít (Gênesis 1:1-6:8)

 

Gênesis 1:2
Ora, a Terra estava assombrosamente vazia, e havia trevas sobre a face das profundezas, e o espírito de D’US pairava sobre a face das águas.

Ora, a Terra estava etc.
O texto nos diz que a Criação começou com a criação da Terra, e “Terra” aqui é um termo abrangente que significa toda a Criação (do mundo, e não apenas da terra seca). Somente no Segundo Dia D’US separou os Céus da Terra. (E o fato de mencionar (1:1): “No princípio D’US criou os Céus”, não significa dizer que a criação dos Céus precedeu a criação da Terra, mas sim que foi completada antes, pois a obra da criação dos Céus foi concluída no Segundo Dia, ao passo que a obra de criação da Terra foi concluída no Terceiro Dia.) Assim diz (Capítulo 2:4b) “no dia de Hashem D’US fazer a Terra e os Céus” — indicando que a criação da Terra foi a primeira.

Assombrosamente vazia
[Rashi (Rabi Shlomo Yitschaki) explica “assombrosamente” como desnorteamento e desolação — uma situação em que uma pessoa fica desnorteada com o grau de desolação ali presente; “vazia” implica em intrigar sobre “o que há nela”,] e a escuridão estava na face das [águas das] profundezas, porque as águas englobavam o mundo inteiro, e a Luz ainda não havia sido criada.

E o espírito de D’US pairava
E um “vento” de ante D’US estava “pairando sobre as águas” — o vento [ar] estava pairando sobre as águas.

E o versículo nos informa ainda que o início da Criação Divina apareceu como algo oculto, a saber, que não era de todo compreensível, algo em que não havia nenhuma ordem, mas sim apareceu assombrosamente vazio e escuro, e que a intenção divina — insinuada na frase “o espírito de D’US estava pairando” — transcendia e estava oculta. Só depois D’US disse “Haja luz” — para poder perceber a essência e a razão de tudo, e houve luz.

E este é um grande princípio ético que devemos estar cientes: que o início de cada questão, seja nos acontecimentos do mundo ou em empreendimentos humanos, a princípio parece confuso, desorganizado e inexplicável, como diz o Talmud (Shabat 77): “Da mesma forma que a Criação do mundo: primeiro as trevas, depois a luz”. Porque a intenção de D’US não é de modo algum clara no início — e somente após o esforço humano torna-se evidente que há uma “luz divina” na questão.

 

Todos os colchetes são originais do texto do Rav Moshe Weiner (exceto se estiver indicado N.T. ou Nota do Tradutor).

Por Rav Moshe Weiner
Traduzido do inglês exclusivamente por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info — autorizado por Rabi Moshe Perets

© Rav Moshe Weiner (Rabino Supervisor da Organização Ask Noah International e autor do The Divine Code)
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A Torá comentada para Bnei Noach – Gênesis c1v1

LOUVADO SEJA D’US!

 

Desde que substituímos o nosso Projeto anterior por este aqui, o Projeto Noaísmo Info (em agosto de 2015), nós vimos tendo, graças a D’US, muitas surpresas. Produzimos o primeiro e único Guia Bnei Noach de Bênçãos e Orações virtual. Produzimos o primeiro e único Guia Bnei Noach de Bênçãos e Orações em Livro Digital (“sidur” noaítico) e Gratuito, revisado pelo Rav Shimshon Bisker. Distribuimos o primeiro e único Contrato de Casamento Bnei Noach. Produzimos junto com o Rav Shimshon Bisker o primeiro e único livreto digital Bnei Noach infantil (com orações) no Brasil (o Guiazinho). Produzimos o primeiro e único Curso Bnei Noach virtual e gratuito. Lançamos (idealizada pelo Rav Shimshon Bisker) a Livraria virtual Projeto Noaismo Info. Fizemos a primeira e única tradução do livro Bnei Noach infantil no Brasil do Rabi Yerachmiel Altman.
E se você achou que o Projeto Noaísmo Info não teria mais novidades para lançar neste ano de 2022, você se enganou.
Mais uma vez o Projeto Noaismo Info sai na frente trazendo mais uma grande e incrível surpresa.

O Projeto Noaismo Info, graças a D’US, tem a honra e a bênção de orgulhosamente anunciar e apresentar o lançamento de
A TORÁ COMENTADA PARA BNEI NOACH POR RAV MOSHE WEINER E TRADUZIDA POR PROJETO NOAISMO INFO.

Sim, isso mesmo, a partir de agora a Comunidade Bnei Noach do Brasil e todo ben-Noach brasileiro no exterior e todo ben-Noach de fala portuguesa no mundo poderá ter a oportunidade finalmente de ler a Torá, a Própria Palavra Original de D’US, e não apenas isso, mas também lê-la com comentários, e mais ainda, apropriados para os próprios Bnei Noach.

Este é mais um dia histórico para o Movimento Bnei Noach da Torá no Brasil.

Então, vamos iniciar.

 

Torá Para Não-judeus

 

A Torá Comentada Para Bnei Noach Por Rav Moshe Weiner e Traduzida Por Projeto Noaismo Info

Parashá |פרשה| Bereshit |בראשית|, isto é, Porção Semanal Bereshít (Gênesis 1:1-6:8)

 

Gênesis 1:1
No princípio D’US criou os Céus e a Terra.

No princípio
Rabi Isaac disse: [Por que a narrativa da Torá começou com NO PRINCÍPIO — relatando a história da Criação —, quando] a Torá deveria ter começado com “Este mês é para você” (Êxodo 12:2), que é o primeiro mandamento que os israelitas foram ordenados[?] Por qual razão ELE começou com “No princípio”? Por causa [do versículo em Salmos 111:6:] “A força de SUAS obras ELE relatou ao SEU povo, para dar-lhes a herança das nações”. [ELE relatou ao SEU povo a força de SUAS obras na criação do mundo a fim de dar-lhes a herança das nações,] pois se as nações do mundo disserem a Israel: “Vocês são ladrões, pois conquistaram pela força as terras das sete nações [de Canaã]”, eles [Israel] responderão: “Toda [est]a terra pertence ao SANTO, Bendito é ELE; ELE a criou e a deu a quem ELE considerou apropriado. Quando quis, deu-a a eles [os cananeus], ​​e quando quis, tirou-a deles e nos deu”. (Rashi)
A explicação desta declaração dos Sábios é que desde o início da Criação D’US escolheu a nação de Israel como uma nação especial para servi-LO, como diz [Êxodo 19:6:] “E você será para MIM um reino de sacerdotes e uma nação santa”, e ELE designou para eles uma terra particular que deve pertencer somente a eles, e ELE fez saber em SUA Torá que ELE a criou e a deu a quem ELE considerou apropriado.

No princípio D’US criou os Céus e a Terra [N.T., ou, criou o Universo]
Este versículo fala sobre a Criação em geral, e depois explica os detalhes da Criação. A explicação de no princípio é “No princípio do tempo da Criação” [e ELE escreveu no princípio de forma genérica, como se dissesse “No princípio de tudo”] ELE criou essas coisas, e não não houve tempo anterior [a este “princípio”] em que havia algo mais, como algum tipo de material primordial, mas sim o início da criação do tempo e o início da criação da matéria foi no primeiro dia junto com a criação dos Céus e da Terra. E o relato da Criação preenche uma grande necessidade já que é a raiz de toda Fé, pois qualquer um que não acredita que a criação do mundo foi ex Nihilo [= do nada] [N.T., em hebraico Iesh Meain] e sim pensa que o mundo existiu eternamente essencialmente nega a base de toda Fé e é inteiramente desprovido de Torá.

D’US criou
O significado de “criou” é um ato [que é particular somente de D’US] para produzir algo do nada absoluto para uma existência detectável. [E esta capacidade não pode ser encontrada entre as coisas criadas, nem pode ser compreendida por elas em absoluto, mas esta capacidade é peculiar somente a D’US.]

D’US
Este nome, [Elohim em hebraico], é um dos nomes do SANTO, Bendito é ELE. O significado deste nome é Regência e Soberania, pois D’US age como PERSCRUTADOR e JUIZ, já que ELE perscruta e julga o mundo inteiro. Este nome é mencionado primeiro no ato da Criação [no Capítulo 1. Nem um outro nome de D’US é mencionado até Gênesis 2:4: “no dia de Hashem D’US fazer”] porque a Criação é realizada por meio deste nome, quando a existência do mundo deve aparecer como uma existência criada. E o início da conduta divina com o mundo é por meio do atributo da Justiça, como exemplificado pelo nome Elohim [e só mais tarde O SANTO, Bendito é ELE, aparecerá como descrito por outros nomes que indicam outros tipos de conduta, como o atributo de Misericórdia ou outros atributos].

Elohim
Este nome significa domínio, um fato que dá importância ao criado [o mundo, os humanos] como os sábios disseram: “não há rei sem nação”. Em contraste, o nome Havayáh (Y-H-V-H) significa O CRIADOR da existência, daí o criado [o mundo, os humanos] não tem qualquer auto-importância em relação ao poder de criação do CRIADOR, APENAS ELE é a única figura na verdadeira existência, portanto, tudo o que é criado é anulado diante DELE. Veja 2:4.

 

Todos os colchetes são originais do texto do Rav Moshe Weiner (exceto se estiver indicado N.T. ou Nota do Tradutor).

Por Rav Moshe Weiner
Traduzido do inglês exclusivamente por Projeto Noaísmo Info: © Projeto Noaismo Info — autorizado por Rabi Moshe Perets

© Rav Moshe Weiner (Rabino Supervisor da Organização Ask Noah International e autor do The Divine Code)
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PDF gratuito sobre Bereshít (Gênesis)

É com prazer que compartilhamos aqui o e-book “Comentários da Torá escritos pelo Rabino Shimshon Refael Hirsch” disponibilizado pela Editora e Livraria Sêfer.

Comentários_da_Torá_hirsch_bereshit

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Revisitando o Jardim do Éden

Revisitando o Jardim do Éden

Por Revista Morashá

 

‘E plantou HaVaYaH, D-us, um jardim no Éden, no Oriente, e lá colocou o homem que criou. E fez brotar da terra, HaVaYaH, D-us, toda árvore cobiçável aos olhos e apetitosa ao paladar, e nesse jardim estavam a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal’ (Gênese, 2:8-9).

 

A história do Jardim do Éden – de Adão e Eva e a serpente, e da partilha do fruto proibido – é universal em seu escopo. Apesar de ser uma história da Torá, não é dirigida exclusivamente ao Povo Judeu. Envolveu pai e mãe de toda a humanidade, pertencendo, portanto, a todos os seres humanos de todas as gerações. De fato, o ocorrido no Jardim do Éden, não constituiu um evento singular em um passado longínquo; constitui uma história recorrente na vida de qualquer homem e qualquer mulher.

 

A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal

O pecado de Adão e Eva é por demais conhecido. Enquanto viviam no Jardim do Éden, tinham permissão para comer de todas as árvores, exceto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. D’us previne Adão que a conseqüência de se violar a proibição seria a morte. Mas, a despeito do severo alerta, Eva se deixa seduzir pela serpente e partilha do fruto proibido, o qual, mais tarde, oferece ao marido e a todos os animais. Em decorrência disso, a morte é introduzida no mundo e Adão e Eva são banidos do Éden para sempre.

O mais peculiar em todo o incidente é a natureza da proibição, em si. Por que razão haveria de ser proscrito o conhecimento e associado ao pecado e à morte? A superioridade do homem perante os demais reinos reside não apenas em sua capacidade espiritual, mas também na mental. Com efeito, essa mesma Torá, que conta a história de Adão e Eva, exacerba o valor supremo do aprendizado e da busca pelo saber e pela verdade. Como diz o Talmúd, quem possui conhecimento, tudo possui; quem não o possui, nada possui.

Outro problema intrigante é o argumento usado pela serpente para convencer Eva a provar do fruto proibido. Era verdadeira a sua alegação de que “No dia em que do fruto comeres, teus olhos se abrirão e serás como D’us, que conhece o bem e o mal”. Isto traz à tona a pergunta: por que razão D’us, que criou o homem à Sua imagem, não quis que desfrutasse de parte de Sua sabedoria?

Ao tentar responder a tais perguntas, é preciso, primeiro, conhecer mais sobre a natureza do primeiro homem e da primeira mulher. Antes de incidir em pecado, a existência física do homem era pura santidade. Como nos ensina Rabi Shimón bar Yochái, autor do Zôhar, até o mais espiritual dos seres humanos na História não consegue se equiparar à estatura espiritual de Adão. Ele nasceu para ser imortal e para viver livre de preocupações, esforços e sofrimentos. Sua missão consistia em tornar o Éden mais perfeito e poderoso para que tal perfeição e força pudessem estender-se por todo o mundo.

Adão nasceu sem maldade; mas isso não significa que o mal não existisse no mundo. De fato, o antagonista na história – a serpente – era a própria encarnação do Mal. Os livros místicos sugerem que a serpente, que também personificava a Árvore do Conhecimento, estava exasperada pela imunidade humana ao mal. Ressentia-se do fato de o homem viver livre dos conflitos e tormentos, e, por isso, tentou atraí-lo para um círculo vicioso de luta e sofrimento. Várias outras são as explicações para o que teria levado a serpente a tentar Eva, mas esta, em especial, alinha-se com os ensinamentos cabalísticos de que o mal sente uma irresistível atração pela bondade. Parasita por excelência, o mal se alimenta de santidade e é a bondade o que lhe dá sustento e significado. Exemplificado de forma simplista: o homem malvado apenas ascende ao status de “super-vilão” quando se lança em guerra contra um “super-herói”; caso contrário, não passa de um simples malfeitor. De modo similar, o Mau Instinto não demonstra grande interesse nos indivíduos que com ele naturalmente se alinham. Ao invés disso, não mede esforços tentando atrair os bons e puros. Isto explica o ensinamento talmúdico de que “quanto maior o homem, maior seu instinto maligno”. É por isso que Adão e Eva foram presa fácil da tentação: o Mau Instinto sobre eles lançou potentes forças hostis que os levaram a pecar.

Uma das lições óbvias do episódio da Árvore do Conhecimento é que o homem tem atração pelo que lhe é proibido. A Torá reconhece que… “As águas roubadas são doces…” (Provérbios 9:17) – ou seja, é do gênero humano cobiçar o proibido. O fruto proibido se tornou uma metáfora, um símbolo da atração e do fascínio pelo pecado. Desde o Jardim do Éden, isto tem sido uma realidade na vida de praticamente todos os seres humanos. Para alguns, pode tratar-se de algo tão mundano quanto o alimento que não deve ser ingerido; para outros, pode ser uma tentação mais destrutiva, como um relacionamento proibido. Mas, qualquer tentação empalidece face ao que a serpente, falando em nome da Árvore do Conhecimento, ofereceu a Adão e Eva. O partilhar do fruto proibido significava a realização do maior desejo dos homens: a capacidade de se parecer a D’us – controlar o próprio destino e exercer poder sobre o mundo. Sem dúvida, a perspectiva mais atraente que pode ser oferecida a um ser humano: a possibilidade de “cruzar a barreira”, de ir além e se tornar divino. Desde os dias de Adão, o homem tem tentado fazê-lo. Atrai-o a magia, o conhecimento esotérico, o misticismo, tudo na esperança de se sobrepor às dimensões do humano.

À semelhança de outros vilões da história, a serpente foi fiel à sua palavra. Entregou o que prometera. Assim que Eva e Adão comeram do fruto da Árvore do Conhecimento, passaram a possuir algo que era reservado a D’us, algo com que nem mesmo os anjos mais elevados contavam – o livre arbítrio. Por ter provado do fruto do bem e do mal, descobriram dentro de si novas aptidões, tornando-se fatores mais dinâmicos no Universo. Como D’us, ganharam o poder de querer, criar e destruir.

A serpente demonstrou astúcia extraordinária, pois contou a verdade a Eva – mas não a contou por inteiro. Após daquele fruto comer, o homem efetivamente passou a conhecer o bem e o mal; mas, ao contrário do Criador e dos seres espirituais, ele interiorizou tal conhecimento. Os animais não são dotados de livre arbítrio, nem os anjos, que são meros mensageiros divinos, e, portanto, impenetráveis ao mal. O homem, vulnerável a qualquer influência, não tem o dom de conhecer o maligno e permanecer imune ao mesmo. Uma vez tendo provado do fruto proibido, pode continuar sendo boa pessoa, mas jamais recuperará a inocência perdida. Não há riqueza nem sabedoria, por maior que seja, que possa restaurá-la.

Em vista do que acabamos de discutir, podemos tratar do motivo para que o fruto da Árvore do Conhecimento fosse proscrito. Como se pode prever, as respostas são várias. Uma destas diz que o homem não foi criado para saber tudo. De fato, quantas pessoas excelentes e talentosas caíram vítima da confusão intelectual e espiritual, do vício e do comportamento destrutivo, simplesmente por buscarem conhecer e experimentar tudo o que a vida lhes tinha a oferecer? Adão foi proibido de comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal porque o homem não tem condições de se manter totalmente alheio e imune àquilo com o que tem contato. D’us sabia que se o homem viesse a conhecer a maldade os resultados seriam desastrosos, pois ele ficaria atraído pelo mal. E foi exatamente o que ocorreu. Após sentir o gosto do fruto proibido, bem e mal se fundiram no interior de Adão e Eva.

Na língua hebraica, a palavra lada’at – “conhecer, saber” – contém um elemento emocional. O versículo que aparece no mesmo capítulo do relato sobre a Árvore do Conhecimento – e que conta que “Adão conheceu Eva, sua mulher” – não contém um eufemismo, como se pensa. Pelo contrário. Conta-nos que um relacionamento físico entre duas pessoas nunca é completamente desvinculado de um elemento emotivo-relacional. Assim o ensinou Rashi, clássico comentarista da Torá: “Conhecer alguém é amá-lo”. E como o amor é um vínculo mais profundo do que qualquer ato da mente ou do intelecto, conhecer algo significa estabelecer uma conexão com este algo. O homem foi criado para jamais conhecer o mal, assim como há situações às quais nenhuma criança jamais deveria ser exposta. Mas desde o pecado de Adão e Eva, a maldade se tornou parte intrínseca de seus descendentes. Sequer importa o que se pensa sobre isto – se o indivíduo desfruta do mal ou se este o repulsa. O simples ato de conhecer implica em arcar com as conseqüências. D’us queria que o homem continuasse santificado, como fora criado, e que não caísse presa da tentação. Pois que a presença da maldade no homem, especialmente em pessoa boa e conscienciosa, é fonte de contínuo sofrimento. É difícil ser bom e, mais ainda, ser espiritual, pois, no decorrer da vida o ser humano freqüentemente se encontra diante da escolha entre duas alternativas terríveis: a frustração de um desejo não realizado ou – infinitamente pior – o amargo gosto do pecado, a dizer, a culpa e a vergonha e o temor da retribuição, quer humana quer Divina.

Desde que provou do fruto proibido, o homem se tornou uma mescla entre bem e mal, luz e escuridão. Explica o Tánya, obra clássica da Cabalá, que o mal se manifesta, no homem, de inúmeras formas: como desejo pelo proibido; como orgulho e raiva indevidos; como depressão e indisposição para fazer o certo; e, talvez o mais freqüente, como frivolidade e desperdício – em outras palavras, o uso inadequado da capacidade, energia e tempo que D’us confiou a cada um de nós. Somente Tsadikím Gamurím – homens e mulheres perfeitamente justos, como Avrahám, Moshê Rabênu e Rabi Shimon bar Yochai – são totalmente destituídos de maldade. Mas, infelizmente, tais seres são raríssimos e mesmo esses podem errar. Ademais, mesmo o Tsadíc Gamúr é forçado a viver em um mundo em que coexistem bem e mal, no qual este ser “justo e puro” se vê cercado de situações em que sempre há uma opção reprovável, não importa em que ambiente se encontre. Consta que Moshê perdeu a paciência em várias ocasiões. Sua fúria, sem dúvida, foi uma falha de comportamento; mas as situações a que foi submetido não lhe permitiram agir de outro modo.

A expressão da raiva foi o único meio que encontrou para corrigir alguns dos problemas surgidos em meio ao povo judeu durante sua jornada de 40 anos a caminho da Terra Prometida.

Um dos temas atemporais na história de Adão e Eva é o fato de que, desde o Jardim de Éden, todos nós, em maior ou menor grau, mantemos um relacionamento de amor e ódio com a serpente. Como está na Torá, “Na porta jaz o pecado; e a ti fazer pecar é o desejo do Mau Instinto; mas tu podes dominá-lo” (Gênese 4:7). A serpente aparece de diferentes formas para diferentes pessoas. Muitos seres humanos, como o primeiro casal da Terra, sucumbem a seu encantamento. Outros conseguem dominá-la. Mas, à exceção dos Tsadikím Gamurím, os justos perfeitos, a humanidade é fascinada pela mesma. Isto explica a razão para a mídia e a indústria do entretenimento nos sufocarem de notícias e imagens, a cada dia mais violentas e impróprias: fazem-no porque atraem nosso interesse, mesmo que em sã consciência consideremos repulsivas as imagens – em outras palavras, a serpente. Se o homem apenas fizesse o que Eva devia ter feito, a dizer, ignorar a “tentação”, esta “serpente” perderia sua razão de existir e acabaria desaparecendo. Não nos referimos, aqui, ao mal que se manifesta de forma explícita no mundo e que deve ser combatido e vencido. Estamos falando da “serpente” que vive dentro de cada um de nós. Esta não pode ser vencida enquanto estivermos obcecados, nela pensando e falando. Esta se encolhe e morre somente depois que o homem transfere seu pensamento para outros assuntos, de preferência mais elevados, os quais, pela própria natureza, são diametralmente opostos aos argumentos e tentações lançados pelo Mau Instinto.

 

Banidos do Jardim do Éden

Pouco após comer da fruta da Árvore do Conhecimento, Adão e Eva são expulsos do Jardim do Éden, pois D’us não permitiria que o homem “estendesse sua mão, retirasse algo da Árvore da Vida, o ingerisse e vivesse para sempre”.

O motivo de sua expulsão traz à tona outra pergunta: por que o homem não podia comer da Árvore da Vida e viver para sempre, eliminando a maldição imposta pelo pecado inicial? Porque a Árvore da Vida não poderia servir como antídoto. Apenas agravaria o problema, pois, uma vez incorporado o mal no ser humano, a Vida Eterna significaria que também o mal viveria para sempre. Há uma história no Zôhar que elucida a idéia. Consta que Rabi Achá, de Kfar Tarsha, tentou expiar uma pestilência em uma aldeia queimando incenso. Disseram-lhe que aquilo era inútil, pois os habitantes do vilarejo não haviam expiado seus próprios pecados. Tivessem eles demonstrado arrependimento, a oferenda do incenso promoveria a expiação; caso contrário, apenas serviria de paliativo para desaparecerem os sintomas, mas jamais traria cura à peste. De forma similar, o fruto da Árvore da Vida poderia curar a morte – sintoma do pecado – mas não o pecado em si.

Após o pecado de Adão e Eva, era preciso corrigir as conseqüências de seu ato. Os limites entre bem e mal tinham sido confundidos não só no homem, mas em todo o mundo. Daí ter D’us expulso o ser humano do Jardim de Éden para que fosse cultivar a terra. Para corrigir o dano que causara, o homem teria que refinar o mundo, extirpando o bem que havia no mal. Isto só é alcançado através do cumprimento dos Mandamentos Divinos, meio pelo qual Ele ensinou ao homem o que não fazer, de modo a não aumentar as forças do mal. E pelo qual também determinou quais as ações a realizar com a matéria física, de modo a que o bem que há no mundo pudesse ser espiritualmente elevado.

Neste ponto, a identidade do fruto proibido adquire relevância. Com certeza, esse fruto não era a maçã. Entre nossos Sábios predominava a opinião de que se tratava de uvas, que Eva comeu e utilizou para fazer vinho, que então serviu ao companheiro. Como as uvas foram o elemento físico envolvido no pecado inicial, nós judeus ajudamos a retificar espiritualmente sua utilização imprópria mediante a oração do Kidúsh, com vinho – ao santificar (o dia de se fazer) o Shabát e as festas judaicas. E, assim fazendo, a mesmíssima fruta que foi consumida em pecado é usada em um ato de santificação – para proclamar que D’us é o Criador do mundo e para santificar Seus dias sagrados. A isto se chama, na Cabalá, Ticún – retificação espiritual. Esta retificação do mundo ocorre quando o homem santifica o mundo físico, utilizando seus elementos com propósito sagrado. Por exemplo, quando o couro é usado para fazer os Tefilín, realiza-se um ato de fissão espiritual: são liberadas as centelhas sagradas existentes na matéria física. Se isso ocorresse constantemente – se o ser humano apenas fizesse o certo sem nunca errar – a “serpente” definharia até a morte, por inanição. O pecado de Adão e Eva seria, então, retificado e suas conseqüências – luta e sofrimento e morte – deixariam de ser parte integral da vida.

O banimento do homem do Jardim do Éden acabou sendo mais uma conseqüência do que uma punição. Ele teria que trabalhar com afinco para reparar o dano causado a si próprio e ao mundo. E pode-se dizer que até mesmo a praga de que “com o suor de teu rosto comerás o teu pão” não veio isenta de alguma bênção em seu interior. Pois o trabalho é o que dá significado à vida do ser humano. E o que se consegue com muita facilidade, dificilmente é valorizado.

A serpente, grande vilã e instigadora, foi punida com exatamente o oposto – uma praga terrível que mais parece uma bênção. Diferentemente do homem que precisa se empenhar para ganhar o seu sustento, a serpente é amaldiçoada por D’us a buscar na terra a sua sobrevivência. De relance, isto parece uma bênção: como o solo é tão abundante, o réptil jamais passará fome. Mas, no íntimo, este decreto é o próprio significado do inferno. A serpente pode ser comparada a um filho que cometeu uma maldade tão monstruosa que leva o pai a expulsá-lo de casa. E lhe diz: “Eu o criei e, portanto, não posso deixá-lo morrer de fome. Por isso, dou-lhe agora todo o dinheiro de que necessitará, na vida, para que nunca mais me procure – pois jamais quero tornar a vê-lo ou saber de seu paradeiro”.

Aqui jaz outra grande lição na história do Éden. Por vezes, D’us provê pessoas malvadas de tudo o que necessitam e desejam porque Ele não deseja contatos com esses indivíduos. Ao mesmo tempo, muita gente boa passa por dificuldades na vida exatamente pelo fato de D’us se preocupar em ouvir suas preces. Ele sente falta desses Seus filhos e quer ver melhorar o seu comportamento, ligando sua alma a Ele por meio da prece, do estudo da Sabedoria Divina e da realização de atos de caridade e bondade.

 

A pergunta de D’us a Adão

Ao estudar a história do Jardim do Éden, não podemos esquecer um princípio básico no judaísmo: sob circunstância alguma acreditamos na existência de poderes independentes; nada, nem mesmo o Mal, consegue se opor a D’us. A serpente personificou o Mau Instinto, que é o próprio Anjo da Morte. E, por se tratar de um anjo – simples mensageiro de D’us – entranhado na carne de um animal, este não possuía livre arbítrio. O castigo da serpente simboliza a maldição que é lançada contra os malfeitores, especialmente aqueles que influenciam terceiros a fazer o mal.

Já que a serpente, agindo em nome da Árvore do Conhecimento, apenas desempenhava sua tarefa, podemos especular – como ousaram fazer alguns comentaristas – que D’us teria feito propositalmente com que Adão e Eva deslizassem, caindo em pecado. Pois se D’us não desejasse que o homem comesse do fruto proibido, por que razão teria criado a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal? A resposta não pode ser o “livre arbítrio”, porque vimos acima que antes do pecado original, o homem não fora agraciado com esse dom divino. E, assim, ao contrário do que sugerimos acima, talvez o homem não tenha nascido para viver livre do mal. Como ensinam os livros místicos, se D’us tivesse desejado que o homem fosse perfeito, que orasse e estudasse a Torá todas as horas do dia, ele poderia ter criado milhões de anjos mais, que nada fazem além de O servir e louvar. Ao invés disso, criou um ser diferente dos anjos e dos animais – uma criatura que pode livremente escolher entre o bem e o mal. Não fosse o pecado original, isto jamais teria sido possível.

Como explica o Tánya, D’us permitiu que existisse o mal porque sem este o homem viveria sem se esforçar. Se não houvesse batalhas, não haveria vitórias. A existência humana adquire significado na batalha entre o bem e o mal: a bondade ganha força quando luta e vence o Mau Instinto. Retornando a uma analogia acima utilizada, um vilão necessita de um super-herói para justificar sua existência. Mas o oposto também é verdadeiro: se não houver vilões, para que heróis? O homem é a jóia da coroa da Criação porque, contrariamente a todas as demais criaturas, ele pode vencer batalhas interiores, em sua alma, e optar por fazer o certo – a despeito de todas as tentações, interiores e exteriores, com que sempre se defronta.

Uma história que reflete o que talvez seja a maior mensagem que D’us nos transmite através do relato sobre o Éden envolve o autor do Tanya, Rabi Shneur Zalman de Liadi. Enquanto encarcerado em uma prisão russa – após a falsa acusação de atividades subversivas contra o Czar – ele foi submetido a intenso interrogatório. As autoridades carcerárias sabiam tratar-se de um grande erudito e filósofo, daí terem-no engajado em horas a fio de discussões teológicas e filosóficas. Certa vez, o investigador-chefe lhe perguntou: “Sua Torá relata que após o pecado de Adão, comendo do fruto da Árvore do Conhecimento, D’us o confronta com a pergunta: ‘Onde estás?’ D’us obviamente sabe onde estão os homens!” O Rebe, Baal HaTanya, retrucou: “Você acredita que a Torá é eterna e que suas lições se aplicam a todos os homens, em todas as épocas? Quando o russo respondeu que sim, o Rabi Shneur Zalman começou a explicar: ‘Onde você está’ é o chamado de D’us a todos os homens da Terra. Ele está perguntando: ‘Em que ponto de sua jornada você se encontra?’. Cada um de nós recebeu tantos dias e tantos anos na Terra, e portanto é necessário nos perguntarmos, constantemente, o que conseguimos realizar nesses anos e quanto de bem contribuímos ao mundo”.

A pergunta de D’us a Adão, pai de toda a humanidade, ecoa na eternidade. Continua a ser constantemente feita a todo ser humano. Quando o homem ousa respondê-la – quando percebe que não veio ao mundo por acaso, mas foi enviado por D’us para aqui cumprir uma missão Divina, ele atinge um nível mais alto de conscientização e embarca em um caminho que o levará a uma existência mais significativa. Esta percepção do homem – de que D’us o chama e sente sua falta, de que espera que ele faça algo construtivo e belo de sua vida e de seu mundo – esta percepção é o início de uma jornada longa e árdua, às vezes dolorosa, mas que o conduzirá de volta ao Jardim do Éden.

 

Por Instituto Morashá de Cultura

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