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ORGULHOSAMENTE APRESENTA,
graças a D’us
Especial Bnei Noach Iniciantes — FASE 2:
Parte 14
OS NOAÍTAS E A ORAÇÃO
Bnei Noach no contexto da oração.
A questão é: qual é o papel da oração na vida de uma pessoa noaíta? Vamos falar sobre as obrigações intelectuais de orar. Como já dissemos, existe uma estrutura formal das sheva mitzvot b’nei noach, os Sete Mandamentos Noaíticos.
Além do que consta na lista básica, existe algo que pode ser chamado de obrigação intelectual. E uma obrigação intelectual não é algo que se encontre apenas na Lei Noaítica; ela também existe na Lei Judaica.
Vamos explorar isso.
De forma intuitiva, é possível perceber que há certas coisas que devemos fazer.
Orar é uma delas.
A obrigação intelectual dos Bnei Noach possui um significado profundo na observância de suas Leis. Embora a Torá não determine especificamente a frequência nem o formato da oração para os noaítas, possuímos diversas fontes que lançam luz sobre o envolvimento intelectual exigido no ato de orar e de recitar bênçãos.
Se olharmos para o Rambam (sigla para Rav Maimônides), nas Leis da Oração, capítulo 1, halachá 1, encontramos que há um Mandamento positivo da Torá de orar diariamente.
Como está escrito em Êxodo, capítulo 23, versículo 25: “Servireis a Deus, vosso Senhor.”
Na Guemará — no tratado de Ta’anit — vemos que, além desse versículo, há outro em Deuteronômio, capítulo 11, versículo 13, que diz: “Servireis a Deus com todo o vosso coração.”
E ali, nossos sábios perguntam: que tipo de serviço é esse? Que serviço pode ser chamado de “serviço do coração”?
E respondem: havi omer, zo tefilá — isso se refere à oração.
Devemos afirmar, portanto, que a Torá não prescreve um número específico de orações, nem uma fórmula fixa, isto é, um tipo específico de liturgia; tampouco define qual deve ser o conteúdo da oração ou estabelece horários fixos para orar. Tudo isso são acréscimos rabínicos, observados com rigor pelo povo judeu.
A pergunta, então, é se isso também deve ser observado pelos Bnei Noach. Essencialmente, não.
Pois a Mishná — compilada por Rabi Yosef Karo, autor do Shulchan Aruch — esclarece ainda mais que o formato da oração não é especificamente delineado. O que a pessoa deve fazer é orar de maneira espontânea e livre.
Assim, se alguém estivesse observando o mandamento da oração apenas do ponto de vista bíblico, essa oração seria algo espontâneo, livre e não estruturado.
Um dos maiores decisores haláchicos da geração anterior nos Estados Unidos — e amplamente respeitado no mundo inteiro — foi o Rav Moshe Feinstein. Em sua vasta coleção de responsas, conhecida como Igrot Moshe, ele afirma diversas coisas importantes.
Seus ensinamentos sobre a oração para os Bnei Noach destacam que, embora eles não sejam obrigados a orar, ainda assim, ao fazê-lo, eles conseguem cumprir uma Mitzvá. Ele cita o versículo de Isaías, capítulo 56, versículo 7: “Pois Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.”
Dessa forma, temos uma prova explícita de que, mesmo estando isentos do Mandamento da oração, quando os Bnei Noach oram, recebem a recompensa de uma Mitzvá.
Outro direcionamento que Rav Moshe fornece diz respeito à oração pública.
Ele adverte contra o uso de textos compostos por sacerdotes.
Se o texto a ser recitado por todos os presentes foi composto por um sacerdote, mesmo que a fé específica não esteja explicitamente evidente no texto, ele não deve ser utilizado. E aqui, quando ele diz “sacerdote”, não se refere apenas ao clero cristão, mas a qualquer fé não judaica. Pois, mesmo algo que pareça “não denominacional” provavelmente foi escrito dentro do espírito daquela crença específica, o que o tornaria inadequado.
Portanto, quando buscamos algo para que os Bnei Noach recitem — e não estamos utilizando a oração espontânea e livre, que está sempre disponível a todos — a recomendação é recorrer à liturgia judaica, seja por meio dos Salmos, de trechos selecionados do Sidur ou de outros textos judaicos.
A ideia é simples: se for textual, que seja de fontes judaicas.
Rav Moshe também reconhece que um ben-Noach pode cumprir uma mitzvá apenas pelo pensamento. Isso é algo interessante.
A pessoa pode orar apenas mentalmente, ou precisa verbalizar a oração?
Os judeus não devem orar apenas em pensamento; é necessário verbalizar. Nossos ouvidos devem ouvir o que nossa boca pronuncia. No entanto, há certas circunstâncias que permitem ao Bnei Noach orar sem verbalizar, como quando se está cercado por pessoas vestidas de forma imodesta, ou em um local sujo ou com mau cheiro — ambientes inadequados para a oração.
Por essa razão, não se ora no banheiro, pois isso não se enquadra dentro do arcabouço da Torá.
A oração exige um ambiente apropriado. Porém, se a pessoa não está em um local inadequado e é possível verbalizar a oração, essa verbalização é a condição para receber o schar mitzvá, a recompensa pela Mitzvá de orar.
E qual é essa recompensa? Algo que deveria ser óbvio para qualquer pessoa de fé: tudo o que precisamos e todos os problemas que enfrentamos devem ser entregues a Deus.
Devemos recorrer a Deus em busca de ajuda em todas essas coisas. Isso deveria ser evidente, intuitivo. Quando fazemos isso, é algo extremamente precioso aos olhos de Deus, e recebemos recompensa simplesmente por fazê-lo.
Os Bnei Noach são incentivados a considerar conscientemente o ambiente ao seu redor: onde devo orar?
Por isso, evitamos certos tipos de locais e procuramos nos direcionar para ambientes que favoreçam uma oração concentrada, significativa e respeitosa.
É algo muito especial poder abrir a boca e falar com Deus: pedir o que precisamos, louvar a Deus e agradecer pelo que temos.
Recomendações para os Bnei Noach aprimorarem a experiência da oração:
Faça uma escolha deliberada de afastar distrações, tanto externas quanto internas.
Não ore pelo celular, se puder evitar a todo custo. Procure falar com Deus em sua própria língua ou utilizar algum texto físico que você possa segurar. Primeiro, porque o texto físico é algo tangível, e isso ajuda. Além disso, o celular é extremamente distrativo. Imagine tentar entrar em um estado de comunhão com Deus enquanto notificações do WhatsApp surgem constantemente na tela — simplesmente não funciona.
Se olharmos para a Guemará, no tratado de Sotah, página 10a–b, vemos como Abraão, por meio de suas ações, fez com que outros invocassem O NOME de Deus. Isso se refere à tenda de Abraão.
O que Abraão fazia em sua tenda? O ensinamento é que Abraão, o patriarca de Israel, fez com que O NOME do SANTO, bendito seja ELE, fosse invocado pela boca de todos os que passavam por ali.
Como isso acontecia? Após seus convidados comerem e beberem — pois Abraão se dedicava intensamente à hospitalidade — eles se levantavam para abençoá-lo.
Então Abraão lhes dizia: “Vocês comeram do que é meu? O que lhes dei não me pertence. Vocês comeram do alimento do Deus do mundo. Portanto, agradeçam, louvem e bendigam AQUELE que falou e o mundo veio à existência.”
Dessa forma, Abraão fez com que todos clamassem a Deus. Em outras palavras, sua tenda era um verdadeiro lugar de educação, onde se ensinava quem é Deus, como nos conectamos a ELE, como reconhecemos SUA bondade e como respondemos com orações e bênçãos.
Estamos falando aqui de uma obrigação intelectual. O que isso significa?
Significa que há certas coisas para as quais a lógica nos conduz inevitavelmente.
No tratado de Berachot, página 35a, o capítulo é conhecido pelas primeiras palavras da Mishná: “Como se abençoa?”
A Guemará pergunta: de onde sabemos que a pessoa deve abençoar antes de comer ou beber?
Isso é curioso, pois a Torá diz: “Comerás, ficarás satisfeito e abençoarás O Senhor, teu Deus.” Ou seja, já existe uma obrigação bíblica de abençoar após comer.
A ideia de bênção antes da refeição também existe no Judaísmo, mas a bênção após a refeição é a mais conhecida. Ainda assim, a Guemará investiga se não haveria também uma obrigação lógica de abençoar antes de comer.
E a conclusão é simples: é pura lógica.
É simplesmente proibido usufruir dos benefícios deste mundo sem fazer uma bênção.
Rashi explica: é lógica. Qual é o benefício? Quem criou o mundo?
Esses momentos são oportunidades de conexão, reconhecimento e gratidão a Deus — e não devem ser desperdiçados.
Isso se aplica igualmente à oração e às bênçãos. Trata-se de uma resposta lógica ao fato de usufruirmos do mundo.
O que aprendemos, então, é que um ser humano espiritual, que deseja um relacionamento com Deus, possui uma quantidade imensa de oportunidades que despertam sua consciência. E a forma de marcar essa consciência de Deus — seja por meio da oração, seja pelas bênçãos sobre os alimentos ou outros benefícios — é por meio da brachá (lê-se braRRá), da bênção.
Ou seja, reconhecemos a fonte, reconhecemos que tudo o que temos nos é concedido como um dom DAQUELE que é A FONTE de tudo. A bênção é pronunciada para marcar e consagrar essa experiência.
Isso exige prática, pois pode acontecer muitas vezes ao dia: ao comer, ao ver um arco-íris, ao contemplar a beleza da natureza ou ao ser salvo de uma situação difícil. Todos esses são momentos de reconhecer e agradecer a Deus pelo que ELE nos concedeu.
Evitei deliberadamente tratar da estrutura formal da oração, pois ela não é uma obrigação para os Bnei Noach, embora possam adotá-la, se assim desejarem.
Por Rav Tani Burton
Tradução por Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info: © 2026 Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info
© Rav Tani Burton
© Site Bnei Noach Projeto Noaismo Info
E através de tudo o que nos foi ensinado nesta aula, neste artigo, quanto à oração para Bnei Noach, por consequência, pela própria lógica, já fica então evidente qual é o ponto para os Bnei Noach referente à sinagoga, ou seja, ao serviço espiritual realizado dentro de um local específico por Integrantes de Israel.
Simplesmente não há razão alguma para desejar participar nem muito menos para esperar ser convidado a isso.
Ainda sobre o tema da reza, veja:
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